LIXO – Um problema maior

A contaminação pelo lixo é um dos grandes problemas da atualidade. É bom lembrar que não faz tanto tempo – a menos de 50 anos atrás – quando não existiam no as garrafas de polietileno tereftalato (o PET, que começou a ser utilizado pela indústria de embalagens no início dos anos 1970), quando as compras eram levadas do comércio até as nossas casas em sacolas de tecido, quando os rios e as praias eram livres de todo tipos de materiais descartáveis…

Só por esse pequeno relato, já dá para se ver as grandes mudanças na história dos resíduos na humanidade. Mas como foi que aconteceu uma mudança tão grande em tão pouco tempo?

tempoA exploração dos materiais PET, altamente poluentes devido a sua degradação lenta e seus componentes tóxicos para sistemas de embalagem popularizou-se nos anos 80 (no Brasil, eles chegaram aproximadamente em 1988) graças à suposta comodidade ou economia. Isso mudou para sempre os nossos comportamentos de consumo e, sem explicar o verdadeiro custo ambiental nem como solucioná-lo depois, os grandes monopólios econômicos invadiram o planeta com esses materiais.

lixo-bgn-1Hoje, infelizmente, é só dar uma voltinha pelas nossas ruas ou praias para encontrar a primeira garrafa PET, a segunda sacola plástica, o terceiro copo descartável… e uma infinidade de objetos que as pessoas jogam fora, assim… como parte do nosso inconsciente coletivo!

Mas vamos lá, para o nosso cantinho: o litoral do Piauí, em Cajueiro da Praia, mais especificamente em Barra Grande. Muitos de nós já perceberam que esse problema não só chegou, mas também está se tornando descontrolado. As ruas, praias, manguezais e até mesmo o mar são vertedouros de todo tipo de lixo.

A coleta irregular colabora com o descaso e o terreno que está designado para esse fim, na verdade, só aumenta outro problema de saúde pública, por encontrar-se perto da zona urbana e por não ter o mínimo de ordem ou controle.

As causas são também inumeráveis: falhas de gestões na administração municipal; falta de programas educativos, preventivos e de execução de um tratamento adequado dos resíduos; falta de educação ambiental para a comunidade e para os turistas; comportamentos negativos com o lixo gerados pela falta desta educação; falta de consciência frente à problemática e desconhecimento da cultura de reciclagem; e, sobretudo, pela super produção e super oferta destes produtos em nosso próprio território. Essa é uma verdade que pode incomodar! Mas ela é um problema de educação que muitos não possuem… porque a maioria de nós nunca a recebeu.

lixo-pelas-ruas BGNPode-se mencionar outros fatores que também contribuem com o problema do lixo desse paraíso: as condições geográficas e atmosféricas do lugar. É que o maravilhoso vento permanente, também transporta, de uma esquina a outra da cidade, sacos plásticos jogados displicentemente em todos os lugares. E o imenso manguezal, que se comunica com o rio, a lagoa e o mar, com o vai e vem das marés, já está virando um lixeiro!

lixo-bgn-3A cidade tem outra grande carência, que é a de controle animal e ambiental: a grande quantidade de jumentos que “vaga” pelas ruas na procura do seu alimento, mexe e espalha o lixo, piorando ainda mais a situação.

Por fim, tem aqueles que queimam o seu lixo acreditando que estão contribuindo com a limpeza, mas, na verdade, estão tirando na terra e poluindo o ar.

A nossa reportagem tentou, em vão, falar com a Prefeitura de Cajueiro da Praia. Ouvimos alguns moradores e a reclamação geral: é necessária uma providência urgente para se solucionar o problema do lixo em Barra Grande!

Alguns defendem que é hora de dar a este tema um tratamento sobre nova percepção, onde todos assumam a sua responsabilidade diante dessa questão (já que grande parte da quantidade do lixo somos nós mesmos quem a produzimos) e procuram maneiras de contribuir para a sua solução.

Dentre as formas de ver o problema, está a óptica ambiental, que tem por base a organização da comunidade, promovendo a educação como eixo central do todas as atividades: um trabalho consciente, organizado e ecológico.

É nesse contexto que se encontram as 4 soluções autônomas e autossustentáveis, que preveem mudanças comportamentais e de atitude e que são denominadas de 4Rs:  Reduzir o consumo desnecessário e excessivo de produtos descartáveis; Reciclar para direcionar o lixo de forma organizada e permitir seu fácil tratamento; Restaurar para recuperar e por em bom estado de modo que ainda tenha uma vida útil; e Reutilizar dando novos usos ao que possível ao invés de jogá-los fora.

reciclagem-bgn-1Poderíamos até acrescentar um quinto RRefletir sobre esse problema e sobre a nossa responsabilidade nessa questão.

Dentro dessa linha de pensamento, os resíduos orgânicos podem ser usados para fabricar “compostagem” em nossas casas ou em parceria com os vizinhos… ou simplesmente alimentar organizadamente animais como porcos e burros. Além disso, objetos descartáveis como as caixas de leite ou “tetra pack”, isqueiros, latas podem se tornar artesanatos criativos.

pet-5Com os plásticos, pode-se, ainda, aplicar uma ideia que hoje é uma tendência de reciclagem em nível mundial: o “ECO-TIJOLO”. Ele consiste na transformação das garrafas PET em tijolos para estruturas simples, através do seu prévio preenchimento com sacolas plásticas limpas e secas, aproveitando esse material que é altamente poluente e pode levar até 1.000 anos para se degradar! Inventores e ambientalistas já desenvolvem esta técnica com excelentes resultados em países como Bolívia, Argentina, Colômbia e aqui no Brasil.

Especialistas no assunto dizem que as pessoas ficam surpresas com a quantidade de resíduos de plástico que se encaixam em só uma única garrafa e que permitem manter às nossas ruas e praias limpas, já que estes são a maior porcentagem do lixo descartável. Sem dúvida, é uma verdadeira evolução, tanto a necessidade de proteger e preservar o nosso planeta com tecnologia autossuficiente, como a implementação de novos materiais duráveis, leves e baratos.

Mais ideias de reutilização das garrafas PETs, entre tantos sites, podem ser conferirdas no Blog do PET. Lá é até possível ver um artigo completo sobre como contruir casas com PET. Fica a dica!

Outra solução apontada está na autogestão de ferramentas que permitem processar os resíduos sólidos para lhes dar um melhor tratamento como, por exemplo, uma prensa mecânica que compacta plásticos e metais, ficando mais fácies de transportar e vender. O Sebrae tem dicas preciosas para quem quer montar uma empresa de reciclagem.

Essas e diferentes soluções alternativas já estão sendo pensadas em Cajueiro da Praia e Barra Grande, de modo especial, por pessoas que se preocupam em preservar o meio ambiente e deixar para seus filhos uma localidade que conserve seus atrativos naturais.

Ambientalistas dizem que as mudanças de hábitos de consumo da sociedade, nos últimos anos, são imposições de um sistema de super produção… e que esse é um problema muito maior do que se imagina!

Para termos uma ideia do problema, boiando no meio do oceano Pacífico, existe o maior lixão do mundo, chamado de Lixão do Pacífico ou Ilha de Lixo do Pacífico. Foi descrito inicialmente pelo pesquisador Charles J. Moore em 1997.

Todo esse lixo foi empurrado para lá pelas correntes marítimas e formaram um amontoado que cresce a cada ano. Em 2009, quando o Fantástico fez uma matéria especial (que você pode conferir a seguir), o lixão era do tamanho dos estados de São Paulo, Rio, Minas e Goiás juntos. Hoje, já está quase do tamanho do Brasil!

“Gostaria que o mundo inteiro percebesse que o tipo de vida que estamos levando, isso de jogar tudo fora, usar tantos produtos descartáveis, está nos matando. Temos que mudar se quisermos sobreviver”, afirma Charles Moore no documentário. O reporter Rodrigo Alvarez completa: “E não dá pra dizer que exista um ou outro culpado: estamos todos com as mãos completamente sujas de plástico!”

É exatamente essa a mensagem também passada pelos ambientalistas: é preciso ultrapassar a barreira dos que acham que a culpa do lixo é apenas da Prefeitura… O lixo é um problema de todos, já que nós temos uma parcela enorme de responsabilidade sobre ele!

ilhas-de-lixoMas o Lixão do Pacífico não é o único no mar! Em 2015, a Agência Espacial Americana (Nasa) divulgou um vídeo que mostra como estas gigantescas lixeiras foram se formando em cinco pontos do oceano, ao longo dos últimos 35 anos. E elas não são móveis, como se acreditava anos atrás. Pesquisadores afirmam que elas estão localizadas em cinco regiões subtropicais, onde as correntes marinhas se encontram. Nelas, o que há é principalmente resíduos de plásticos, micropartículas que já foram parcialmente decompostas pelos raios do sol. Veja o vídeo:

Desde o final do século 20, quando o assunto da sustentabilidade começou a vir à tona, estudos e ideias acerca da finalidade que podia ser dada aos resíduos sólidos passaram a ser discutidos. Em 2010, foi aprovada a Política Nacional de Resíduos Sólidos, no Brasil. Ela determina que todos os lixões do país deveriam ter sido fechados até 2 de agosto de 2014 e o rejeito (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado) encaminhado para aterros sanitários adequados.

E lá se vão mais de dois anos sem que a lei seja cumprida! Enquanto isso, já estão em tramitação no Congresso Nacional projetos que prorrogam o prazo para que municípios passem a dar o destino adequado aos rejeitos de resíduos sólidos, fechem seus lixões e se ajustem de vez à Política Nacional de Resíduos Sólidos: O Projeto de Lei 2289/2015 , por exemplo, aprovado no Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, dá prazo até 31 de julho de 2018, para capitais e regiões metropolitanas se adequarem; até 31 de julho de 2019, para municípios com população superior a 100 mil habitantes; até 31 de julho de 2020, para municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes e até 31 de julho de 2021, para aqueles com população inferior a 50 mil habitantes, que é o caso de Cajueiro da Praia.

Em outras palavras: para ter o seu paraíso limpo, Barra Grande vai ter que agir como comunidade comprometida!

A verdadeira solução para o lixo, que é parar a produção de plásticos descartáveis ou produzir embalagens 100% biodegradáveis, pode parecer utópica hoje, mas é bom lembrar que a distribuição de sacolas plásticas nas lojas já é proibida em muitos países.

A facilidade com que podemos contribuir para um mundo mais limpo está ao nosso alcance: é só nos questionar sobre o impacto que nós causamos ao meio ambiente em cada ação… É preciso ter vontade e disposição para começar a mudar hábitos e comportamentos para que as pegadas que deixemos em Barra Grande e no planeta sejam somente na areia, permitindo que novas gerações desfrutem desse paraíso limpo e sadio.

E fica aqui a pergunta para ser respondida por cada um: O que eu posso fazer para contribuir com a limpeza desse paraíso?

nao-existe-fora

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Por: Juan Carlos Echeverry
Apoio: Suzane Jales

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